
O Ministério da Saúde descartou dois casos suspeitos de Ebola que haviam sido notificados no Brasil, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo.
Segundo a pasta, um viajante procedente de Uganda no Rio que apresentava calafrios, tosse e diarreia teve resultado negativo após exames realizados em amostras de saliva, urina e sangue pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). O diagnóstico foi posteriormente confirmado para malária.
Já em São Paulo, a suspeita de Ebola foi descartada em um paciente de 37 anos internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL) confirmaram o diagnóstico de doença meningocócica.
Segundo o Ministério da Saúde, o país nunca registrou um caso confirmado de Ebola.
A investigação dos casos suspeitos seguiu os protocolos nacionais para febres hemorrágicas virais, adotados desde 16 de maio após a declaração de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em razão do surto registrado na República Democrática do Congo e que também atinge Uganda.
Segundo a OMS, até 27 de maio foram notificados na República Democrática do Congo um total de 906 casos suspeitos e 223 mortes entre os casos suspeitos. São 134 casos confirmados — incluindo nove em Uganda —, com 18 mortes entre os casos confirmados.
Nesta segunda-feira (1/06), o Ministério da Saúde publicou uma nota técnica para reforçar, junto a estados e municípios, as ações de vigilância, preparação e resposta à doença.
Sintomas podem se confundir com outras doenças
Entre os principais sintomas do Ebola estão febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Eles levam de dois a 21 dias para aparecer e começam como se fosse uma gripe. Depois, podem se intensificar, e alguns pacientes desenvolvem hemorragias.
São, porém, sintomas comuns a diversas infecções, o que dificulta a identificação de um caso suspeito apenas com base no quadro clínico.
Por isso, a suspeita costuma levar em conta também o histórico de viagem e possíveis exposições do paciente. Nos casos investigados em São Paulo e no Rio de Janeiro, ambos os pacientes estiveram recentemente em países afetados pelo surto.

Risco de transmissão é baixo, dizem autoridades
As autoridades responsáveis pelos dois casos suspeitos afirmam que o risco de transmissão de Ebola no Brasil é baixo. A avaliação é compartilhada pelo Ministério da Saúde.
Isso porque o ebola não é transmitido pelo ar. A infecção ocorre por contato direto com sangue, secreções ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas, em geral apenas quando elas já apresentam sintomas.
Apesar da avaliação de baixo risco, o Ministério da Saúde ativou na semana passada o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais, com o objetivo de reforçar a vigilância e a capacidade de resposta do sistema de saúde.




