
Mais de 54 mil piauienses não poderão votar nas eleições deste ano. A informação foi divulgada por Hugo Leonardo Leite, chefe da Seção de Orientação às Zonas Eleitorais do Piauí, ao explicar que a maioria dos eleitores com títulos cancelados não procurou a Justiça Eleitoral dentro do período de regularização.
Segundo ele, o cancelamento ocorreu com os eleitores que deixaram de votar e também não justificaram a ausência nas últimas duas eleições, sendo os dois turnos de 2022 e o pleito de 2024. Ao todo, 60 mil títulos foram cancelados no estado, mas apenas 6 mil pessoas buscaram atendimento para regularizar a situação.
“Tinham sido cancelados 60 mil títulos no ano passado. Desses 60 mil, só 6 mil procuraram a Justiça Eleitoral. Então, temos 54 mil pessoas que não procuraram regularizar a situação”, destacou.
Com isso, os eleitores que permaneceram irregulares não poderão participar das eleições deste ano. Hugo Leonardo explicou ainda que o cadastro eleitoral permanece fechado até após o pleito, impossibilitando qualquer regularização antes da reabertura oficial, marcada para 3 de novembro.
Ele destacou que, mesmo em caso de segundo turno, essas pessoas continuarão impedidas de votar, já que o sistema da Justiça Eleitoral só volta a funcionar normalmente após o encerramento completo das eleições.
Além da impossibilidade de votar, o título cancelado também gera restrições para serviços que exigem quitação eleitoral, como posse em concurso público, emissão de passaporte e matrícula em instituições públicas. No entanto, o chefe da seção explicou que há uma alternativa temporária para quem precisar comprovar a situação junto a órgãos públicos.
“A pessoa não pode regularizar o título agora para esta eleição. Mas, a partir de novembro, poderá procurar o cartório eleitoral para regularizar a situação. Nesse período, se precisar da quitação eleitoral para assumir concurso público, por exemplo, ela pode procurar o cartório, que fornece uma certidão circunstanciada explicando que o eleitor procurou a Justiça Eleitoral, mas não pôde regularizar porque o cadastro está fechado. Com essa certidão, ela consegue exercer atividades que exigem a quitação eleitoral”, disse.
As longas filas registradas no último dia do prazo também chamaram atenção em diversos municípios, principalmente em Teresina. De acordo com Hugo Leonardo, a demanda superou a capacidade de atendimento da Justiça Eleitoral, mesmo com o planejamento realizado antecipadamente.
“Por mais que a gente tenha se preparado, a demanda superou nossa capacidade de atendimento. Em todo o Piauí, foram distribuídas mais de 5 mil senhas para atendimento entre os dias 7 e 21. Em Teresina, foram 2.400 senhas. Para você ter uma ideia, somente nos dias 7 e 8 nós atendemos cerca de 200 eleitores, e hoje já foram mais de 100 atendimentos”, pontuou.
Ainda segundo Hugo Leonardo, muitos eleitores só descobrem o cancelamento do título quando precisam acessar algum serviço oficial.
“Muitas pessoas só percebem que o título está cancelado quando precisam de algum documento, como uma certidão de quitação eleitoral para tirar passaporte ou assumir cargo público. Aí descobrem que o título está cancelado e procuram a Justiça Eleitoral”, disse.




