
Os motociclistas seguem liderando o ranking das principais vítimas do trânsito. Com a popularização das corridas por aplicativo com motocicletas, esse cenário se torna ainda mais preocupante, sobretudo pelo uso inadequado ou a ausência do capacete, tanto por condutores quanto por passageiros.
Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram a gravidade da situação. Em 2025, foram registradas 9.587 infrações envolvendo motociclistas, que resultaram em 849 acidentes e 97 óbitos. Do total de infrações, 5.548 foram de condutores pilotando sem capacete e 3.271 de passageiros sendo transportados sem o equipamento de segurança.
Em 2026, o cenário segue semelhante. De 1º de janeiro a 4 de fevereiro, a PRF já contabilizou 595 infrações envolvendo motociclistas, que resultaram em 68 acidentes e sete mortes. Dentre essas infrações, 318 foram por condução sem capacete e 184 por transporte de passageiros sem o uso do equipamento de proteção.

O inspetor da PRF, Leandro Caldas, destaca que os números são alarmantes e que grande parte das ocorrências poderia ser evitada com medidas simples de segurança.
"É um número preocupante e elevado. Percebemos que os motociclistas não estão cuidando da própria segurança. Claro que eles são a parte mais vulnerável no trânsito e os outros motoristas têm que ter uma atenção redobrada, mas também percebemos os motociclistas fazendo ultrapassagem pela direita, principalmente em caminhão, que têm muito ponto cego, e a falta de uso do capacete".
Segundo o inspetor, ainda é comum observar motociclistas utilizando o capacete apenas para evitar fiscalização, e não como item essencial de proteção.
“A gente percebe que muitos motociclistas colocam o capacete para passarem em frente ao posto da polícia, mas depois tiram e colocam o capacete no braço. O que acontece é que, se ele cair, além da cabeça, ele vai quebrar o braço. O capacete não é para nós, policiais, é para o motociclista, para salvar sua vida”, reforça.
Além de obrigatório, o uso correto do capacete é determinante para a eficácia da proteção. Isso inclui o capacete afivelado, com viseira abaixada e em bom estado de conservação.
“Quem anda de motocicleta deve obedecer algumas regras, como utilizar a viseira abaixada e o capacete afivelado. Se o capacete não estiver afivelado de forma correta, ele irá sacar, então será como se a pessoa não estivesse usando o capacete. Tanto que na lei fala que a pessoa, se estiver sem o capacete afivelado de forma correta, é como se não estivesse utilizando o capacete. Isso é infração de trânsito gravíssima, no valor de R$ 293, e gera suspensão do direito de dirigir de 2 a 8 meses”, explica o inspetor.
Leandro Caldas também aponta que a resistência ao uso do capacete ainda está ligada a fatores culturais e à falta de conscientização.
“Observamos que é uma questão cultural das pessoas em não utilizar o capacete. A gente intensifica a fiscalização, mas o trânsito é um ambiente de todos, então precisamos da ajuda dos motociclistas, da conscientização deles para a utilização dos EPIs, tanto o calçado que se fixa aos pés, utilização de calças, luvas e também, principalmente, o capacete de segurança”, destaca.
Para quem utiliza motocicletas por aplicativo, o inspetor reforça que o passageiro também deve se atentar às condições de segurança antes de iniciar a corrida.
“Eu, particularmente, oriento a cancelar, principalmente se o capacete não tiver como afivelar. Mas o capacete também precisa ter a viseira e o selo do Inmetro, pois ele tem um prazo de validade de até cinco anos. E as pessoas devem utilizar o capacete do tamanho correto, caso contrário acontecerá a mesma situação: ele poderá sacar”, orienta.




