
No mês de novembro, a campanha Novembro Azul ganha destaque em todo o país ao reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata, a segunda maior causa de morte por câncer entre homens no Brasil. Em entrevista ao Portal Grande Picos, o médico urologista Eriberto Barros explica que o objetivo central da iniciativa é conscientizar a população masculina sobre a necessidade de cuidar da saúde, quebrar tabus e incentivar a realização de exames preventivos.
Segundo o especialista, o movimento surgiu inspirado pelo Outubro Rosa, voltado à saúde da mulher. “O Novembro Azul foi criado justamente para incentivar a busca pela saúde do homem. O SUS percebeu a importância desse foco e instituiu o mês de novembro como referência para a conscientização masculina”, destacou Barros.
Apesar dos avanços, o médico reconhece que ainda há resistência. “O homem, diferentemente da mulher, é muito mais difícil de procurar espontaneamente os serviços de saúde. Isso reflete na qualidade de vida e na expectativa de vida da população masculina. Muitos ainda acreditam que só devem ir ao médico quando estão sentindo alguma coisa”, afirmou.
Diagnóstico precoce: fator decisivo
O urologista ressalta que identificar o câncer de próstata cedo aumenta significativamente as chances de cura. “Apesar de ser o câncer sólido mais comum nos homens, em suas fases iniciais ele é também o mais curável. O diagnóstico precoce garante mais de 95% de chance de cura”, explicou.
Exames indispensáveis
Barros detalha os principais exames: “O PSA é um exame de sangue simples, feito em qualquer laboratório, que nos ajuda na interpretação dos resultados. Já o exame de toque retal permite identificar áreas suspeitas ou nódulos na próstata. Apesar do preconceito, ele é fundamental, porque até 30% dos cânceres de próstata apresentam PSA normal e só são diagnosticados pelo toque. Por isso, o exame é indispensável em todos os casos indicados para rastreio”.
Mitos e verdades
O médico também combate preconceitos. “Existe o mito de que o exame de toque diminui a masculinidade, mas isso não tem nenhuma relação. Outro equívoco é achar que todo aumento da próstata significa câncer. Na maioria dos casos, trata-se de um aumento benigno, comum com o envelhecimento. Já o histórico familiar realmente aumenta o risco”, esclareceu.
Tratamentos e efeitos colaterais
Quando o câncer é descoberto no início, as principais opções são a cirurgia para retirada da próstata e a radioterapia. “Cada tratamento pode trazer efeitos colaterais, como impotência sexual e incontinência urinária, mas hoje temos técnicas modernas que reduzem esses impactos e oferecem grande sucesso no controle desses problemas”, disse.
Ele acrescenta que os avanços tornaram os procedimentos menos invasivos. “Os tratamentos evoluíram para causar menos efeitos colaterais e, quando eles aparecem, podem ser tratados de forma adequada”.
Barreiras culturais e papel da família
Para Eriberto Barros, o preconceito ainda é um obstáculo. “Falta cultura entre os homens de procurar o médico regularmente, e isso reflete na expectativa de vida e na qualidade de vida, principalmente na velhice”.
Nesse contexto, a família exerce papel fundamental. “Muitos homens só vêm ao consultório trazidos pelo pai, pelo filho, pela filha ou pela esposa. É essencial que a família incentive o check-up anual, especialmente após os 45 ou 50 anos”, destacou.
Conscientização e mensagem final
O médico reforça que campanhas como o Novembro Azul são cruciais para quebrar barreiras. “Ir ao médico não torna ninguém menos homem. Pelo contrário, garante que você viva mais e melhor”.
Ele deixa uma mensagem direta: “A doença não vai deixar de existir se a pessoa não procurar atendimento. Cuidar da saúde hoje é projetar um futuro melhor para daqui a 10, 15 ou 20 anos. Quem se cuida agora, colhe os frutos nas próximas décadas”.
Por fim, orienta sobre onde buscar atendimento. “Os homens podem procurar os postos de saúde para encaminhamento ao urologista. Aqui em Picos, eu atendo na clínica Qualymed”.




