
O mel piauiense, conhecido por sua origem em matas nativas e certificação orgânica, será tarifado em 50% pelo governo dos Estados Unidos. A nova medida foi oficializada por decreto do presidente Donald Trump, divulgado nesta quarta-feira (30), através de portaria que lista os produtos afetados.
O diretor da Casa Apis, Antônio Leopoldino Dantas — conhecido como Sitonho Dantas — lamentou a exclusão do mel da lista de exceções. "Infelizmente, com a assinatura do decreto pelo Donald Trump, a gente tomou conhecimento que o mel não está incluído na lista de produtos isentos. Ou seja, o mel está taxado, está confirmada a taxação".
A medida passa a vigorar no dia 6 do próximo mês, afetando cargas futuras que ainda não foram embarcadas. A Casa Apis, central que reúne três cooperativas, já despachou containers que devem chegar aos EUA antes do início da cobrança.
O mel orgânico como diferencial competitivo
Segundo Dantas, o mel brasileiro representa uma fatia pequena da produção mundial (65 mil toneladas das 1,8 milhões produzidas globalmente), mas tem importância estratégica por sua qualidade orgânica. O Canadá é o principal concorrente no segmento orgânico, mas não iguala a produção nacional.
“De todos os países produtores, o nosso mel é um produto orgânico reconhecido internacionalmente. Os consumidores americanos sabem disso — são exigentes e valorizam esse diferencial”.
Impacto econômico e contratos internacionais
Apesar da taxação, os contratos firmados com importadores americanos estão mantidos até dezembro, segundo o diretor. Como a modalidade de venda usada é FOB (Free on Board), o custo da tarifa será absorvido pelos compradores nos EUA.
“A partir do momento que o mel é embarcado, a responsabilidade é do importador. Eles já autorizaram o embarque, mesmo com a tarifa”.
Situação dos apicultores e cooperativas locais
A Casa Apis é composta por produtores que atuam coletivamente, sem patrões ou empregados. O modelo cooperativo permite que o mel seja certificado e negociado no exterior de forma competitiva, algo difícil para apicultores individuais.
Dantas alerta para os impactos sobre produtores que atuam fora de cooperativas, que podem estar mais vulneráveis. “Quem não está dentro de um sistema desses pode acabar nas mãos de atravessadores, que visam o lucro próprio. A situação deles é bem mais delicada”.
Recomendações para o setor
O diretor pede paciência aos apicultores diante da incerteza. Embora o preço do mel tenha sido mantido até agora, há risco de queda devido à especulação e à nova tarifação.
“Recomendaria paciência aos nossos produtores. Os contratos estão mantidos, mas precisamos ver como as negociações vão evoluir daqui pra frente”, concluiu.
CONFIRA A ENTREVISTA COM SITÔNIO DANTAS




