
O Piauí registrou 463 casos de estupro de vulnerável, entre os dias 1º de janeiro e 13 de julho deste ano, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP -PI). O número indica que, em média, pelo menos dois boletins de ocorrência são feitos por dia.
Ao todo, 11.369 crimes contra crianças e adolescentes com idade menor ou igual a 14 anos, já foram formalmente registrados no estado em 2025. O valor é 24% superior ao contabilizado em 2024, quando 9.138 denúncias foram realizadas
A titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), delegada Rosa Chaib, explicou que casos de violência física, psicológica e maus-tratos estão inclusos no total.
"Em alguns casos, essas ocorrências se cruzam com os abusos sexuais: iniciam-se como maus-tratos e, ao longo da investigação, revelam um histórico muito mais grave", contou.
A delegada afirmou ainda que o crime de estupro vulnerável é, muitas vezes, oculto. Segundo ela, em parte dos casos, a vítima não compreende que foi violentada ou tem medo de denunciar o agressor.
O conselheiro tutelar Ivan Cabral, que atua na Zona Leste de Teresina, afirma que, por isso, alguns crimes não são comunicados aos órgãos responsáveis.
Alguns não chegam na rede de proteção por diversos fatores, como medo, vergonha, desinformação ou falta de confiança das responsáveis pela criança e do adolescente”, afirmou.
As autoridades orientam, portanto, a realização de boletins de ocorrência, pois é a partir do registro, que se iniciam as investigações criminais e medidas como a prisão do agressor podem ser realizadas.
Como identificar abusos
Para o conselheiro Ivan Cabral, o combate à violência sexual contra crianças e adolescentes deve ser adotado por meio da prevenção, denúncia e assistência a vítima. As ações, de acordo com ele, devem incluem educação, conscientização, fortalecimento da rede de proteção e responsabilização dos agressores.
A observação também pode ser efetiva no processo de identificação de sinais de abuso.
"[É importante] observar mudanças de comportamento, autolesões, hematomas, infecções urinárias de repetição, infecções sexualmente transmissíveis, transtornos alimentares, distúrbios do sono, alteração no rendimento escolar e atitudes sexuais incompatíveis com a idade", orientou.
Denúncias sobre situações de abuso e exploração podem ser feitas pelo 180, pelo Disque 100 e também nos órgãos de proteção e defesa dos direitos da criança e do adolescente. A qualquer momento, em situação de flagrante, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190.




