
O advogado trabalhista Giovani Madeira avaliou como um “avanço social” a proposta de alteração da atual escala 6x1, que tramita em regime de urgência no Congresso Nacional. Segundo ele, a medida representa ganhos não apenas para o trabalhador, mas também para a economia e para a saúde pública.
“Essa alteração significa um avanço social, um avanço nas relações de trabalho e uma medida extremamente necessária, inclusive nos campos previdenciário e até da saúde do trabalhador”, afirmou.
Madeira destacou que setores como comércio, prestação de serviços e hotelaria seriam os mais impactados, mas frisou que a mudança alcançaria praticamente toda a economia. Ele lembrou que estudos apontam que cerca de 500 mil pessoas já buscaram o sistema previdenciário por afastamentos relacionados à exaustão e acidentes de trabalho.
“Esse contexto não é só trabalhista, é uma engrenagem que tem reflexos tanto na seara trabalhista quanto no SUS e na seara previdenciária”, explicou.
O advogado ressaltou que, uma vez aprovada, a lei terá vigência nacional sem necessidade de ação sindical imediata. Ele comparou a resistência atual à redução da jornada com momentos históricos de mudanças trabalhistas que, inicialmente, foram contestadas, mas se consolidaram como avanços.
“Desde a época da abolição da escravatura, a alegação era de que o Brasil quebraria. Hoje, dizem que a redução da jornada vai atrapalhar a economia. Mas não quebra. O Brasil é um país rico e capaz, só precisamos de adaptações”, afirmou.
Madeira também destacou os benefícios para as empresas, citando exemplos de países europeus que já adotam jornadas menores que 40 horas semanais. “Mais descanso, menos horas de trabalho geram otimismo, aumentam a produtividade e reduzem acidentes. Isso significa lucro e menos dor de cabeça para o empregador”, disse.
O projeto prevê a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, aproximando o modelo brasileiro ao 5x2. Segundo o advogado, as principais beneficiadas serão as mulheres, que enfrentam jornadas duplas e triplas.
“As mulheres utilizam o descanso semanal para trabalhos domésticos. Com mais um dia de folga, terão maior qualidade de vida. Esse projeto beneficia toda a sociedade e deve alcançar cerca de 37,5 milhões de trabalhadores”, destacou.
Madeira lembrou ainda que a flexibilização prevista permitirá negociações específicas por categoria, reforçando o papel dos sindicatos. Ele citou como exemplo o setor de shoppings, onde trabalhadores relatam dificuldades para conciliar vida pessoal e profissional devido às longas jornadas.
“A jornada 6x1 é muito cruel, porque retira o tempo de convivência com a família e de cuidados pessoais. A redução é um projeto atrasado, mas necessário”, concluiu.




