
A proximidade da Páscoa de 2026 ocorre em meio a mudanças no mercado global de matérias-primas usadas na produção de chocolate. Os preços do cacau e do açúcar, dois dos principais insumos da indústria, registraram quedas recentes após picos históricos nos últimos anos. Apesar desse movimento de recuo, especialistas avaliam que o consumidor ainda não deve perceber uma redução significativa no valor dos ovos de chocolate nas prateleiras neste ano.
O cacau, por exemplo, chegou a atingir valores recordes no mercado internacional. Em janeiro de 2025, a tonelada da commodity ultrapassou US$ 10 mil, impulsionada principalmente por quebras de safra e problemas climáticos em grandes produtores como Gana e Costa do Marfim. Já no início de 2026, o preço médio recuou para cerca de US$ 3,6 mil por tonelada, indicando uma correção no mercado após o período de escassez global.
O açúcar também apresenta tendência de queda. No estado de São Paulo, a saca está sendo negociada em torno de R$ 98, o menor valor desde 2020 e cerca de 30% abaixo do registrado no início de 2025. Esse cenário reflete uma combinação de maior oferta global e redução da demanda em alguns mercados, impulsionada por mudanças de hábitos de consumo e pelo avanço de medicamentos voltados ao controle de peso.
Mesmo com a redução dessas commodities, a indústria de chocolates afirma que o preço final dos ovos de Páscoa depende de vários fatores além do cacau e do açúcar, como leite, câmbio do dólar e custos logísticos. A produção dos produtos vendidos em 2026 começou meses antes, quando as cotações ainda estavam elevadas. Por isso, o alívio no preço das matérias-primas pode demorar a chegar ao consumidor, devendo ser percebido com mais clareza apenas nos próximos ciclos de produção.




