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Piauí tem quinta maior taxa de hanseníase do país

Dados do Boletim Epidemiológico de Hanseníase 2025 colocam o estado como hiperendêmico.

Por: Vanessa Maria Fonte: G1 Piauí
27/01/2026 às 09h33
Piauí tem quinta maior taxa de hanseníase do país
Foto: Reprodução

O Piauí está entre os estados com maior taxa de detecção de hanseníase no Brasil e ocupa a quinta posição no ranking nacional. Os dados são do Boletim Epidemiológico de Hanseníase 2025 e indicam um cenário considerado hiperendêmico, o que representa um desafio para o controle da doença no estado.

Em 2023, a taxa registrada no estado foi de 18,34 casos novos por 100 mil habitantes, enquanto a média do Brasil ficou em 12,1 casos por 100 mil habitantes.

O levantamento aponta ainda que o Piauí aparece entre os estados com maiores taxas do país, atrás apenas de Mato Grosso, Tocantins, Maranhão e Rondônia. Mato Grosso lidera o ranking nacional, com 129,65 casos por 100 mil habitantes, seguido por Tocantins (63,15), Maranhão (33,23) e Rondônia (24,46).

Na outra ponta, os menores índices de detecção foram registrados no Sul do país. Santa Catarina apresentou taxa de 0,62 caso por 100 mil habitantes, seguida pelo Rio Grande do Sul (1,95) e São Paulo (2,74).

Segundo especialistas, um dos principais fatores para a manutenção desse quadro é o diagnóstico tardio. Muitos pacientes só descobrem a doença em estágios mais avançados, quando já apresentam sequelas físicas.

A doença

A hanseníase é uma doença infecciosa que atinge principalmente a pele e os nervos. Os sintomas mais comuns são manchas claras ou avermelhadas, acompanhadas de perda ou diminuição da sensibilidade ao calor, ao frio, à dor e ao toque. Em casos mais graves, os nervos podem ser comprometidos, o que pode causar limitações físicas permanentes.

Pacientes com quadros mais complexos podem precisar de acompanhamento hospitalar e uso de medicamentos específicos. O tratamento inclui avaliação médica, realização de exames e ações para prevenir incapacidades, como fisioterapia e terapia ocupacional.

O cuidado também envolve apoio psicológico e orientação social, já que o estigma ainda é uma realidade para muitas pessoas diagnosticadas com a doença.

Transmissão

A transmissão da hanseníase ocorre pelas vias respiratórias e exige contato próximo, frequente e prolongado com pessoas que ainda não iniciaram o tratamento. Familiares que moram na mesma casa têm maior risco de adoecer.

Profissionais de saúde reforçam que contatos rápidos ou ocasionais não costumam ser suficientes para a transmissão.

Outro ponto de alerta é a adesão ao tratamento. A interrupção irregular pode levar à resistência da bactéria causadora da doença, tornando o tratamento mais longo e complexo.

Quando o diagnóstico é feito em consulta ambulatorial, o paciente pode iniciar a medicação imediatamente e dar continuidade ao tratamento na Unidade Básica de Saúde, com acompanhamento conforme a necessidade clínica.

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