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PGR denuncia ministro Juscelino Filho por desvio de verbas públicas

Acusação envolve repasse de emendas para obras em cidade governada por sua irmã; STF decidirá se abre ação penal.

Redação
Por: Redação Fonte: Metropoles
08/04/2025 às 20h26 Atualizada em 08/04/2025 às 20h32
PGR denuncia ministro Juscelino Filho por desvio de verbas públicas
Lula e Juscelino Filho — Foto: Ricardo Stuckert/PR.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou, nesta terça-feira (8), o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, por suspeita de envolvimento em esquema de desvio de emendas parlamentares. A denúncia, assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet, será analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá se o ministro se tornará réu.

A Polícia Federal concluiu a investigação e indiciou Juscelino em junho de 2024. As suspeitas envolvem crimes como organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e fraude em licitação. A apuração gira em torno do desvio de, ao menos, R$ 835,8 mil em recursos destinados a obras de pavimentação no município de Vitorino Freire (MA), administrado por Luanna Rezende, irmã do ministro.

Segundo a PF, os desvios foram operados por meio da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), com atuação da empresa Construservice. O empresário Eduardo DP, apontado como sócio oculto da construtora, também é investigado. Mensagens trocadas entre ele e Juscelino, encontradas no celular do empresário, sustentam a acusação de que o ministro integrava o esquema.

Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) indicam que obras custeadas por essas emendas beneficiaram propriedades da família do ministro. As conclusões foram encaminhadas ao ministro Flávio Dino, relator do caso no STF.

Juscelino foi indiciado com base em diversos dispositivos legais, incluindo:

  • Código Penal: corrupção passiva, falsidade ideológica, fraudes em licitação;
  • Lei de Organizações Criminosas (12.850/13);
  • Lei de Lavagem de Dinheiro (9.613/98);
  • Lei de Licitações (8.666/93).

Defesa do ministro

Em nota, a defesa de Juscelino afirmou que ainda não foi notificada oficialmente da denúncia e criticou a postura da PGR, afirmando que há risco de retorno a práticas "punitivistas" no país. A nota reafirma a "total inocência" do ministro e diz que ele apenas indicou emendas para obras em benefício da população.

O partido União Brasil, ao qual o ministro é filiado, também saiu em sua defesa. O presidente da sigla, Antônio Rueda, afirmou confiar na seriedade de Juscelino e ressaltou que ele poderá se manifestar plenamente no STF.

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