
A seca prolongada e a irregularidade das chuvas têm agravado a crise hídrica em diversos municípios do semiárido piauiense. Segundo o coordenador regional do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Assis Rocha, a situação atual é alarmante. Ao todo, 129 municípios já decretaram estado de emergência ou calamidade pública número que deve crescer nos próximos dias.
“A situação atualmente na nossa região do estado do Piauí, principalmente no semiárido, é difícil. Tivemos um inverno curto e com chuvas muito inconstantes. Algumas foram volumosas, mas sem constância. Isso prejudicou o acúmulo de água nos açudes e afetou diretamente a produção agrícola”, explicou Assis Rocha em entrevista por telefone.
A zona rural é a mais afetada. Com a lavoura perdida e os reservatórios com níveis críticos, a população enfrenta sérias dificuldades no abastecimento de água. “É uma situação dolorosa para o nosso estado. A estiagem está só começando. Vamos atravessar ainda maio, junho e mais seis ou sete meses de seca intensa”, alerta o coordenador.
Os impactos já são sentidos na rotina das cidades. Várias prefeituras, por conta da crise, estão cancelando eventos tradicionais, como festas municipais e celebrações de emancipação política. “Os gestores estão deixando de realizar até eventos culturais, por não haver como justificar gastos diante da calamidade que enfrentamos”, acrescentou.
Outro problema apontado por Assis Rocha é o custo do abastecimento emergencial. “Um carro-pipa chega a custar R$ 400 a R$ 500. Como uma família pode destinar quase 50% da sua renda apenas para comprar água?”, questiona. “É um desafio enorme para os prefeitos, que estão na linha de frente, lidando com a realidade do povo.”
O panorama dos principais reservatórios da região é preocupante. Dos seis açudes sob responsabilidade do Dnocs, apenas o de Bocaina apresenta situação razoável, com 85 milhões de metros cúbicos de água. Os demais estão com níveis muito baixos. O Açude Barreiras possui pouco mais de 5 milhões de metros cúbicos, enquanto o de Cajazeiras, em Pio IX, está praticamente seco, comprometendo inclusive a piscicultura local. O Açude Piaus também registra menos de 50% da sua capacidade.
Com os meses mais quentes do ano se aproximando, agosto, setembro e outubro o cenário tende a se agravar ainda mais.




