
O aumento das negociações realizadas pela internet tem ampliado os riscos de golpes envolvendo compra e venda de imóveis. Diante desse cenário, o Colégio Notarial do Brasil - Seção Piauí (CNB-PI), em parceria com o Conselho Federal, lançou uma campanha de conscientização para alertar a população sobre os cuidados necessários durante transações imobiliárias.
Em entrevista, a tabeliã do Cartório Silva Luz e membro do Conselho de Ética do CNB-PI, Morgana Silva Luz, destacou que a crescente ocorrência de fraudes motivou a mobilização da entidade.
"Houveram registros, só em 2025, de mais de 2 milhões de fraudes no geral e, dentre elas, fraudes na compra de imóveis. Isso chamou a atenção do Conselho Federal e dos colégios estaduais para a importância de conscientizar a população sobre os cuidados necessários nessas transações", afirmou.
Segundo a tabeliã, um dos golpes mais comuns começa quando o proprietário anuncia um imóvel na internet. O fraudador entra em contato sob o pretexto de intermediar ou assegurar a negociação e solicita documentos pessoais e do imóvel.
De posse dessas informações, o criminoso procura uma segunda vítima, geralmente um comprador interessado em oportunidades anunciadas online.
"O fraudador consegue convencer a pessoa de que ele é o proprietário. Com todos os documentos em mãos, celebra um pré-contrato, faz uma assinatura falsa e recebe um sinal, que muitas vezes é um valor considerável. Depois disso, desaparece, bloqueia os contatos e a vítima fica sem o dinheiro e sem o imóvel", explicou Morgana.
A orientação, segundo ela, é que proprietários e compradores evitem compartilhar documentos pessoais ou documentação do imóvel com pessoas conhecidas apenas por meio da internet.
Cartório oferece segurança jurídica nas negociações
Morgana reforça que a melhor forma de evitar prejuízos é buscar orientação em um cartório antes de fechar qualquer negócio.
"No cartório, a pessoa consegue acesso ao documento verdadeiro do imóvel, que é a escritura pública. Somente após o registro é que ela terá efetivamente a propriedade do bem", ressaltou.
Além da identificação rigorosa dos envolvidos na negociação, os cartórios também verificam a situação jurídica do imóvel, identificando possíveis pendências, dívidas ou restrições que possam comprometer a compra.
"Nós só fazemos a escritura depois de verificar a identidade do proprietário e confirmar que aquele imóvel realmente pertence a ele e está apto para ser negociado. Esse é o papel do cartório: garantir segurança jurídica nas transações imobiliárias", destacou.
Atenção às vendas feitas apenas por declaração
Durante a entrevista, a tabeliã chamou atenção para uma prática ainda comum em cidades pequenas e áreas rurais: a compra de imóveis por meio de simples declarações particulares.
Segundo ela, esse tipo de negociação pode gerar sérios prejuízos, inclusive situações em que o mesmo imóvel é vendido para várias pessoas.
"Quem vai ficar seguro é quem comprou melhor. E quem compra melhor é quem faz a escritura pública e registra o imóvel. Existe um jargão que usamos muito: quem não registra não é dono", alertou.
Tecnologia reforça segurança
Morgana também destacou que os cartórios contam hoje com recursos tecnológicos que ampliam a segurança das transações. Por meio da plataforma e-Notariado, por exemplo, é possível realizar atos eletrônicos e assinaturas digitais com mecanismos de validação da identidade dos participantes.
"Hoje já existe a possibilidade de assinar uma escritura de forma digital, mas tudo com muita segurança. A identificação da pessoa é realizada por meio de sistemas oficiais e a assinatura é feita digitalmente", explicou.
Casos reais em Picos
A tabeliã revelou que os golpes não são situações hipotéticas e que diversos casos já foram registrados na região de Picos.
"Temos vários casos de pessoas que compraram o mesmo imóvel uma, duas, três vezes. Casos de pessoas que compraram imóveis com dívidas e também de quem comprou imóveis de pessoas que não eram proprietárias. São situações reais que causaram grandes prejuízos", relatou.
Procure orientação antes de fechar negócio
Como parte da campanha, o CNB-PI está promovendo ações de divulgação em emissoras de rádio, televisão e na internet para conscientizar a população.
"Procurem o cartório, se informem e não façam nenhum negócio sem ter a certeza absoluta de que estão negociando com segurança", concluiu Morgana Silva Luz.
A recomendação é que compradores e vendedores procurem o cartório mais próximo antes de realizar qualquer pagamento, assinatura de contrato ou entrega de documentos, garantindo que a negociação ocorra com segurança e respaldo jurídico.




