
A morte do jornalista Erlan Barros, vítima de tuberculose peritoneal, trouxe grande repercussão nacional e acendeu o alerta para formas raras e de difícil diagnóstico da doença. A tuberculose peritoneal, que afeta o revestimento interno do abdômen, é considerada incomum e muitas vezes confundida com outras enfermidades, o que dificulta a detecção precoce. O profissional faleceu no último sábado (17) em Teresina.
Em Picos, o coordenador do Posto de Atendimento Médico (PAM), Gilberto Valentim, explicou que o município tem registrado aumento nos casos de tuberculose, impulsionado pela ampliação da oferta de serviços e pela adoção de exames mais modernos. Apesar disso, ele ressalta que não há notificações de tuberculose peritoneal na cidade.
“Em 2024, nós tivemos 19 casos. Em 2025, foram 26, um aumento de 37%. É preocupante, mas positivo, porque só conseguimos identificar os casos quando oferecemos consultas e exames. Hoje contamos com o teste TRM-TB, baseado no DNA do bacilo, muito mais sensível que a baciloscopia tradicional”, destacou Valentim.
Segundo o coordenador, além da forma pulmonar mais conhecida, existem variantes extrapulmonares que podem atingir ossos, rins, meninges, cérebro, olhos e até as mamas.
“Não podemos pensar apenas no paciente emagrecido e debilitado e acamado. A tuberculose pode começar com sintomas simples, como tosse persistente, cansaço extremo, febre no fim da tarde e perda de apetite. Além disso, há casos de tuberculose extrapulmonar, como a urinária, mamária e ocular. Onde o bacilo se instala, ele provoca o mesmo processo infeccioso”, explicou.
O coordenador chamou atenção para os sinais de alerta que podem indicar tuberculose.
“A tuberculose apresenta uma simples tosse, uma simples fraqueza no final da tarde, cansaço extremo sem nenhuma explicação, tosse, fraqueza, falta de apetite. Os principais sintomas são tosse produtiva ou seca, pigarro na garganta, febre no final da tarde, sudorese noturna e perda de peso. Nem todo mundo que tem esses sintomas vai ter tuberculose, mas todo mundo que tem tuberculose começa dessa forma. É preciso chamar atenção para os pacientes com infecção urinária de repetição, infecção urinária que, mesmo após tratamento, retorna e deve ser investigada. Paciente que apresenta secreção mamária sem explicação também precisa ser avaliado. Da mesma forma, quem apresenta hematúria — presença de sangue na urina — deve ser investigado. E pacientes que estão perdendo a visão sem causa aparente também precisam passar por investigação”.
Valentim reforçou que a doença é altamente contagiosa, transmitida pelas gotículas de saliva, e exige atenção redobrada da população.
“É uma doença contagiosa, altamente contagiosa. Muito mais contagiosa do que a hanseníase, porque transmite pelas gotículas de saliva. Você pode se contaminar em vários ambientes”.
O tratamento, oferecido gratuitamente pelo SUS, dura cerca de seis meses e combina quatro medicamentos no início, reduzindo para dois nos meses seguintes. Em Picos, o atendimento é feito no PAM, mas há planos de descentralização para as unidades básicas de saúde.
“Nosso objetivo é manter o número de casos entre 25 e 35 por ano nos próximos cinco anos, para depois reduzir a incidência. O tratamento é eficaz e garante alta por cura”, concluiu Valentim.




