21°C 33°C
Picos, PI
Publicidade

Feminicídios no PI: 37 casos em 2025 acende alerta e preocupa especialistas

Maioria dos crimes foi registrada no interior do estado

Por: Vanessa Maria Fonte: Cidade Verde
02/01/2026 às 11h57
Feminicídios no PI: 37 casos em 2025 acende alerta e preocupa especialistas
Foto: Reprodução

O Piauí contabilizou 37 feminicídios em 2025, entre os meses de janeiro e o dia 16 de dezembro, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP). A maioria dos crimes foi registrada no interior do estado, que concentrou 29 casos, o equivalente a quase 80% do total.

De acordo com a SSP, Teresina aparece com nove ocorrências, liderando o ranking por município, seguida por Parnaíba, com seis feminicídios.

Os crimes no interior foram registrados nos seguintes municípios:

  • Castelo do Piauí;
  • Juazeiro do Piauí;
  • Alagoinha do Piauí;
  • Paquetá;
  • Paulistana;
  • Pio IX;
  • Piracuruca;
  • Dom Expedito Lopes;
  • Francisco Santos;
  • Itaueira;
  • Campo Maior;
  • Padre Marcos;
  • Amarante;
  • Colônia do Piauí;
  • Barras;
  • São João da Canabrava;
  • Simões;
  • Madeiro;
  • Manoel Emídio;
  • Várzea Grande;
  • Esperantina.

Perfil das vítimas e dos autores

As estatísticas reforçam que a violência letal contra mulheres segue avançando fora da capital, onde o acesso à rede de proteção é mais limitado, apesar dos esforços das forças de segurança.

Dados da SSP apontam que a idade média das vítimas é de 36 anos, enquanto a idade média dos autores é de 38 anos. As informações desmontam a ideia de que o feminicídio atinge apenas mulheres mais velhas ou está restrito a relacionamentos longos.

A delegada Nathalia Figueiredo, do Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), destacou que os casos atingem mulheres de diferentes perfis.

“O feminicídio não escolhe vítima. Não tem idade, não tem classe social e não tem cor. Qualquer mulher pode estar sujeita a esse tipo de violência”, afirmou.

Interior concentra casos e enfrenta mais vulnerabilidades

Para a socióloga e membro da Rede Observatórios da Segurança, Marcela Castro, a concentração dos feminicídios no interior do Piauí está diretamente relacionada à fragilidade da rede de proteção. “Quando observamos que até em Teresina, onde há mais serviços e delegacias, os números já são preocupantes, a situação nos municípios mais afastados se torna ainda mais grave”, avaliou.

A socióloga explicou que, em muitas cidades, existe apenas uma delegacia para atender toda a população, além da ausência de funcionamento 24 horas e dificuldades de acesso à informação, à internet e ao próprio Judiciário.

“Muitas mulheres não sabem a quem recorrer, enfrentam dificuldades no pós-denúncia e não encontram suporte para cuidar dos filhos ou se manter financeiramente, por esses motivos muitas vezes elas se calam e continuam nesse ciclo de violência”, acrescentou.

A socióloga também destacou que fatores culturais também influenciam nos crimes de feminicídio.“Nas regiões mais afastadas, a cultura patriarcal, a dominação masculina e a misoginia ainda são mais fortes, o que aumenta a vulnerabilidade dessas mulheres, que na maioria das vezes já cresceram em um contexto de menosprezo à mulher”, disse.

Ciclo da violência antecede o feminicídio

Especialistas alertam que o feminicídio costuma ser o desfecho de um ciclo de violência, identificado por sinais recorrentes, como:

  • Controle sobre roupas, amizades e rotina;
  • Ciúmes excessivos e acusações constantes;
  • Ameaças, xingamentos, agressões e humilhações;
  • Isolamento da família e dos amigos;
  • Violência física, sexual ou patrimonial.

Segundo Nathalia Figueiredo, reconhecer esses sinais é fundamental. “Jamais normalize a violência. Uma relação só é saudável quando traz felicidade para ambas as pessoas. E nunca duvide do seu agressor, porque ele pode executar as ameças que ele lhe fez. Não denunciar não é o caminho. A medida protetiva é um direito da mulher e pode salvar vidas. E essa rede de proteção não se estende apenas a mulher, mas também aos seus filhos”, reforçou.

Como denunciar e buscar proteção

A SSP reforça que a denúncia pode ser feita em qualquer fase da violência, mesmo sem agressão física. Os principais canais são:

  • Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher (24 horas);
  • 190 – Polícia Militar, em situações de emergência;
  • WhatsApp da Diretoria de Proteção à Mulher (86 99463-1147) e o 0800-000-1673 (Protocolo "Ei Mermã, Não se Cale") para denúncias e encaminhamento;
  • Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM/DEAMGV);
  • Aplicativos e canais digitais da rede de proteção (Salve Maria, Gov.pi Cidadão, JuLIA (TJ-PI), e outros);

As denúncias podem ser feitas de forma anônima, inclusive por terceiros.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Picos, PI
22°
Tempo nublado
Mín. 21° Máx. 33°
22° Sensação
0.84 km/h Vento
79% Umidade
14% (0mm) Chance chuva
05h47 Nascer do sol
17h44 Pôr do sol
Quinta
36° 22°
Sexta
35° 22°
Sábado
33° 21°
Domingo
34° 22°
Segunda
33° 20°
Publicidade
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Economia
Dólar
R$ 4,99 +0,08%
Euro
R$ 5,89 +0,10%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 390,632,37 -0,45%
Ibovespa
198,657,33 pts 0.33%
Publicidade
Anúncio
Publicidade
Anúncio
Enquete
...
...
Publicidade
Anúncio