
O Piauí contabilizou 37 feminicídios em 2025, entre os meses de janeiro e o dia 16 de dezembro, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP). A maioria dos crimes foi registrada no interior do estado, que concentrou 29 casos, o equivalente a quase 80% do total.
De acordo com a SSP, Teresina aparece com nove ocorrências, liderando o ranking por município, seguida por Parnaíba, com seis feminicídios.
Os crimes no interior foram registrados nos seguintes municípios:
Perfil das vítimas e dos autores
As estatísticas reforçam que a violência letal contra mulheres segue avançando fora da capital, onde o acesso à rede de proteção é mais limitado, apesar dos esforços das forças de segurança.
Dados da SSP apontam que a idade média das vítimas é de 36 anos, enquanto a idade média dos autores é de 38 anos. As informações desmontam a ideia de que o feminicídio atinge apenas mulheres mais velhas ou está restrito a relacionamentos longos.
A delegada Nathalia Figueiredo, do Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), destacou que os casos atingem mulheres de diferentes perfis.
“O feminicídio não escolhe vítima. Não tem idade, não tem classe social e não tem cor. Qualquer mulher pode estar sujeita a esse tipo de violência”, afirmou.

Interior concentra casos e enfrenta mais vulnerabilidades
Para a socióloga e membro da Rede Observatórios da Segurança, Marcela Castro, a concentração dos feminicídios no interior do Piauí está diretamente relacionada à fragilidade da rede de proteção. “Quando observamos que até em Teresina, onde há mais serviços e delegacias, os números já são preocupantes, a situação nos municípios mais afastados se torna ainda mais grave”, avaliou.
A socióloga explicou que, em muitas cidades, existe apenas uma delegacia para atender toda a população, além da ausência de funcionamento 24 horas e dificuldades de acesso à informação, à internet e ao próprio Judiciário.
“Muitas mulheres não sabem a quem recorrer, enfrentam dificuldades no pós-denúncia e não encontram suporte para cuidar dos filhos ou se manter financeiramente, por esses motivos muitas vezes elas se calam e continuam nesse ciclo de violência”, acrescentou.
A socióloga também destacou que fatores culturais também influenciam nos crimes de feminicídio.“Nas regiões mais afastadas, a cultura patriarcal, a dominação masculina e a misoginia ainda são mais fortes, o que aumenta a vulnerabilidade dessas mulheres, que na maioria das vezes já cresceram em um contexto de menosprezo à mulher”, disse.

Ciclo da violência antecede o feminicídio
Especialistas alertam que o feminicídio costuma ser o desfecho de um ciclo de violência, identificado por sinais recorrentes, como:
Segundo Nathalia Figueiredo, reconhecer esses sinais é fundamental. “Jamais normalize a violência. Uma relação só é saudável quando traz felicidade para ambas as pessoas. E nunca duvide do seu agressor, porque ele pode executar as ameças que ele lhe fez. Não denunciar não é o caminho. A medida protetiva é um direito da mulher e pode salvar vidas. E essa rede de proteção não se estende apenas a mulher, mas também aos seus filhos”, reforçou.
Como denunciar e buscar proteção
A SSP reforça que a denúncia pode ser feita em qualquer fase da violência, mesmo sem agressão física. Os principais canais são:
As denúncias podem ser feitas de forma anônima, inclusive por terceiros.




