
O vereador Afonso Guimarães, conhecido como Afonsinho, se posicionou sobre os projetos enviados pelo Executivo e aprovados pela Câmara Municipal de Picos. Entre eles, destacou o polêmico empréstimo de R$ 80 milhões, que segundo o parlamentar não é uma necessidade real do município, mas sim uma medida de caráter político.
“Picos hoje é uma cidade financeiramente controlada e no momento não há necessidade real do empréstimo pelo meu ponto de vista. O projeto é muito vago, não explica quais os itens unitários, quais serão as taxas de juros, quais os bancos. Eu acredito que é mais uma questão política que realmente financeira do município”, afirmou.
Questionamentos sobre viabilidade
Afonsinho ressaltou que a Câmara apenas autorizou a possibilidade de contratação, sem que haja definição concreta de instituição financeira ou condições de pagamento. “Não há empréstimo de R$ 80 milhões para Picos, porque o município não tem condição de pegar um dinheiro tão alto. Este ano já entraram mais de R$ 60 milhões na saúde e mais de R$ 80 milhões em investimentos. Não há necessidade de novo empréstimo para o próximo ano”, pontuou.
O vereador disse ainda que, caso tivesse participado da sessão, teria solicitado pedido de vista para analisar melhor a proposta. “O projeto é muito vago, não está explicando nada. Se a equipe do prefeito provar que esses R$ 80 milhões serão investidos sem prejuízo para os próximos gestores, eu estou disposto a defender e votar a favor. Mas até agora não há clareza”, destacou.
Comparação com gestão anterior
Afonsinho lembrou que na gestão do ex-prefeito Gil Paraibano, um empréstimo de R$ 30 milhões foi detalhado e justificado, diferentemente do atual projeto. “Na época, Gil explicou que o dinheiro seria usado para energia solar, que pagava parte do empréstimo. Agora, vejo incoerência: aliados que antes foram contra o empréstimo de Gil, hoje votaram favoráveis ao projeto da atual gestão”, criticou.
Outras matérias aprovadas
Além do empréstimo, o vereador comentou sobre outros projetos aprovados, como a elevação de povoados à categoria de bairros e a instituição da taxa do lixo. Para ele, essas medidas já eram previstas em regulamentações federais e deveriam ter sido aprovadas anteriormente. “A taxa do lixo é uma exigência do Ministério do Meio Ambiente para transformar lixões em aterros sanitários, que têm custo alto. O ex-prefeito Gil já havia colocado esse projeto em pauta, mas foi rejeitado por questões políticas e ideológicas”, explicou.
Incoerência política
Afonsinho concluiu sua fala destacando a necessidade de coerência nas decisões legislativas. “Eu nunca votei em uma pauta para voltar atrás, sempre voto com convicção. Muitas vezes vejo a política desacreditada perante a população por questões ideológicas, não pelo que é bom para a cidade. Isso preocupa porque nossas próximas gerações vão se perguntar o motivo de tanta incoerência”, disse.
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