
A Semana Santa é um período de forte significado espiritual para várias religiões. Na tradição cristã, ela começa no Domingo de Ramos e segue até o Domingo de Páscoa, marcando os últimos dias de Jesus Cristo antes da crucificação e celebrando sua ressurreição.
Para os católicos, a Semana Santa é uma caminhada de fé que inclui celebrações importantes como a Quinta-Feira Santa, quando é relembrada a Última Ceia, a instituição da Eucaristia, do sacerdócio e o gesto do lava-pés. "Esse gesto nos torna mais humanos. Cristo lavou os pés dos discípulos para mostrar o valor do servir, do acolher. E nesse mesmo dia, instituiu a Eucaristia, que não é só pão e vinho, mas corpo e sangue do Senhor", explica o padre Nery, da Arquidiocese de Teresina.
Na Sexta-feira Santa, é celebrada a Paixão de Cristo, dia em que Jesus foi julgado, condenado e crucificado. “Ele assumiu em sua carne todas as dores da humanidade, para nos libertar da morte eterna”, diz o padre.
No Sábado Santo, ocorre a Vigília Pascal, com celebrações que começam do lado de fora da igreja, com a bênção do fogo e do círio pascal. Já dentro da igreja, sete leituras, salmos e orações conduzem os fiéis até o anúncio da ressurreição. “Iluminamos a igreja e celebramos a vitória da vida com o nosso ‘aleluia pascal’”, afirma o religioso.
O Domingo de Páscoa, considerado o mais importante do calendário litúrgico católico, celebra a ressurreição de Jesus, marco central da fé cristã. É tempo de renovação, esperança e alegria.
Nas religiões de matriz africana, a Semana Santa também é vivida com respeito e recolhimento espiritual. Embora os rituais sejam diferentes, o período é marcado por introspecção e conexão com o sagrado.
“Nas casas de axé, vivemos esse momento com recolhimento, buscando resguardar nossos corpos e fortalecer nossa energia espiritual”, explica Pai Frazão de Xangô, do Ilê Axé de Preto Velho, em Teresina.
Durante os dias mais simbólicos — Sexta-feira Santa, Sábado Santo e Domingo de Páscoa — há práticas próprias, como o uso de roupas brancas, vigílias com orações e cânticos, e dormir no chão como sinal de humildade e ligação com a mãe terra.
O Sábado Santo começa com a “alvorada”, quando tambores celebram a vida e a resistência. Já o Domingo de Páscoa é encerrado com um desjejum coletivo. “Fazemos um banquete em comemoração à vida”, afirma Pai Frazão. Essas práticas são apoiadas por entidades como a Conen, Anpma e Cenarab.
Entre os evangélicos, a Semana Santa é um momento para refletir sobre o sacrifício e a ressurreição de Cristo, mas sem seguir os rituais tradicionais do catolicismo. Segundo o pastor Maurício de Sousa, da Igreja Cristã Evangélica em Teresina, a Páscoa é relembrada como o momento em que Jesus celebrou a Última Ceia, foi preso injustamente, crucificado e ressuscitou.
“Não damos ênfase a uma semana específica. Para nós, esse sacrifício é lembrado o ano todo. É um tempo de reflexão, de lembrar a salvação por meio da cruz”, comenta o pastor.
As igrejas seguem sua programação normal, podendo realizar cultos especiais, cantatas ou encenações. O jejum, diferente da tradição católica, pode ser feito em qualquer época do ano, conforme o propósito de cada fiel.
Para os evangélicos, a celebração da Páscoa está diretamente ligada à Ceia do Senhor, instituída por Jesus durante a Páscoa judaica. “Essa cerimônia substitui, para nós, a Páscoa do Antigo Testamento. Não seguimos as tradições judaicas ou católicas, mas vivemos o significado da ressurreição a partir da Bíblia”, conclui o pastor.




