
Catadores de materiais recicláveis voltaram a se reunir em frente ao prédio da Prefeitura Municipal de Picos nesta quinta-feira (21), exigindo celeridade na tramitação do Projeto de Lei que institui um auxílio financeiro emergencial para a categoria. A proposta, que deve ser apreciada pela Câmara ainda hoje, é vista como essencial pelos trabalhadores, que estão sem fonte de renda desde o fechamento do antigo lixão.
O representante da classe, Raimundo Lourival, expressou indignação com o que chamou de “falsas promessas” por parte do poder público. “Até agora mesmo, no momento, só nada. O que deixa mais a gente indignado é eles marcarem reunião dizendo que vai ter votação, e depois não acontece. O pessoal já está cansado, desempregado, gastando o que não tem”, desabafou.
A catadora Silvia Maria também se manifestou, reforçando o sentimento de frustração entre os trabalhadores. “Se fosse para ser resolvido, já tinha, porque durante 2 meses é só promessas e eles não têm cumprido nada”.
Já Maria Divina denunciou irregularidades na distribuição das cestas básicas, que deveriam ser entregues regularmente pela prefeitura. “A situação está cada dia mais precária, porque prometeram essa cesta básica para nós em 15 dias. [...]Enquanto isso a gente fica em casa esperando a decisão deles, passando necessidade”.
Em resposta às críticas, o chefe de gabinete da prefeitura, Filomeno Portela, garantiu que o projeto será votado em regime de urgência. “O prefeito pediu celeridade. O projeto deve ir hoje à Câmara e, com o apoio dos vereadores, será apreciado e votado em sessão ordinária e extraordinária no mesmo dia”, afirmou. Segundo ele, após a sanção e publicação no Diário Oficial, o auxílio poderá ser liberado imediatamente para os catadores cadastrados na assistência social.
O secretário de Assistência Social, Luzifrank Sousa, explicou que houve um impasse com o fornecedor das cestas básicas, mas que a situação já foi resolvida. “Segunda (25) ou terça-feira (26) as cestas estarão prontas para entrega. São cestas robustas, pensadas para suprir a necessidade de famílias por 15 dias”, garantiu.
A prefeitura também informou que está em andamento um plano de reestruturação do sistema de coleta seletiva, com previsão de construção de galpão equipado para que os catadores possam voltar a trabalhar de forma regular e segura.
Enquanto aguardam a votação do projeto, os catadores seguem mobilizados, cobrando não apenas promessas, mas ações concretas. “Não dá mais. Já é demais. A gente vem esperando há mais de dois meses por essas promessas e até agora só nada”, concluiu Raimundo Lourival.





