
A exclusão dos catadores no acesso às instalações do aterro sanitário de Picos, operado pela empresa Santa Inês Soluções Ambientais, tem gerado debates e preocupações na cidade. Em entrevista recente, o diretor da empresa, Arthur Carvalho, explicou os motivos técnicos e legais que impedem a presença dos trabalhadores no local.
“Nós somos uma empresa privada, com licença ambiental, e nossas instalações não possuem estrutura para receber catadores. Toda a operação é automatizada para disposição final, sem triagem ou separação”, afirmou Carvalho.
Segundo o diretor, permitir a entrada de catadores nas áreas do aterro comprometeria as exigências legais do licenciamento ambiental, podendo acarretar multas do Ministério Público do Trabalho e até a suspensão da autorização de funcionamento.
“Ter catadores atuando diretamente no lixo, sem estrutura adequada, poderia implicar na perda da licença. Seria um retrocesso enorme para a região, que agora tem um aterro licenciado após décadas de lixões”, pontuou.
Apesar das restrições, a empresa busca alternativas em parceria com a gestão municipal. A proposta defendida por Carvalho inclui ações graduais, como educação ambiental, incentivo à separação de resíduos domiciliares e instalação de lixeiras específicas na área comercial.
“É preciso tirar o catador dessa situação indigna, de estar dentro do lixo. Com apenas duas lixeiras — uma para recicláveis e outra para resíduos gerais — já se inicia uma mudança. Os cooperados fariam a coleta dos recicláveis sem se expor diretamente ao lixo bruto”, sugeriu.
A estrutura de galpão e apoio logístico para triagem fora do aterro também estão entre os caminhos indicados, mas o diretor reconhece que é um processo lento, porém viável. Atualmente, três municípios — Picos, Geminiano e Francisco Santos — já realizam a disposição final no aterro da Santa Inês.
“Estamos recebendo cerca de 80 toneladas diárias só de Picos, o impacto ambiental já é significativo. A expectativa é expandir para até 60 municípios da região, e a construção de uma nova rodovia entre as BRs 316 e 407 deve facilitar essa logística”, destacou.
O debate sobre a inclusão dos catadores segue em pauta, e a viabilidade de projetos integrados será essencial para garantir sustentabilidade com justiça social.
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