Alunos também protestam por atraso de obras da escola (Foto: Sinte)

Os profissionais em educação de Picos participaram, na manhã de hoje (18), de uma manifestação em prol do movimento grevista. A caminhada pelas principais ruas do Centro da cidade aconteceu após uma assembleia da categoria na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte). Muitos estudantes participaram do movimento com faixas e cartazes cobrando do Governo do Estado transporte escolar, melhorias nas escolas e conclusão de obras.

De acordo com a presidente regional do Sinte, Gisele Dantas, a categoria está unida e o movimento continua até que o Governo do Estado cumpra o acordo feito com os professores. Ela explica que a greve não é apenas por questões salariais, mas também por conta da falta de transporte escolar dos alunos, obras das escolas paralisadas, atraso no repasse dos empréstimos consignados, que segundo ela, deixa os professores inadimplentes com o banco.

Gisele disse ainda que o atraso no repasse dos planos de saúde (IAPEP e PLAMTA) e o atraso nas aposentadorias dos servidores faz parte das reivindicações.

“O governador [Wellington Dias] tem que cumprir com o seu papel de gestor. […] A classe está entendendo esse grande momento que o governo está querendo retirar o direito à paridade, que é o direito do aposentado de receber o reajuste, a questão da desvalorização do funcionário de escola que não recebeu nada esse ano, nem o mínimo. E também o perigo da lei do reajuste do piso salarial nacional, que o governador já recebeu esse dinheiro no início do ano e que não repassou”.

A diretora do sindicato falou ainda que os profissionais estão recebendo o apoio, inclusive dos alunos, que não têm estrutura para receberem aulas. “Muitos alunos presentes, inclusive os alunos do Miguel Lidiano, que foi uma obra iniciada em 2013 e até hoje não foi concluída, os alunos tiveram que mudar de prédio duas vezes, então eles vieram, compareceram com faixas. Temos o transporte da Rede Estadual, o governo pode até dizer que o problema do transporte está resolvido, mas não está, vamos retornar da greve e aí vocês verão se o transporte escolar vai estar funcionando de acordo como é para acontecer”.

O professor Pedro Paulo trabalha nas escolas Ozildo Albano e Coelho Rodrigues, ele participou da caminhada de hoje e afirmou seu total apoio à classe. O docente relata as dificuldades enfrentadas pelos profissionais que trabalham com educação.

“Nós professores e trabalhadores da Educação, como também servidores administrativos, vigias, zeladores, merendeiras e até mesmo os professores substitutos, que são chamados de s celetistas, todos nós juntos estamos tentando fazer com que o Governo do Estado do Piauí, representado na pessoa do Wellington Dias, cumpra um acordo judicial que ainda foi feito no mês no de março, onde todos os trabalhadores, no começo do ano, deflagramos um movimento grevista para valer o reajuste do nosso piso salarial”, destacou o professor.

A estudante, Jaiza Moura, é aluna da escola Miguel Lidiano, ela afirmou apoio à greve porque acredita que os professores merecem o reajuste que foi firmado na justiça. A discente contou que a escola na qual estuda foi interditada e desde que o governo iniciou as obras, nunca terminou e os alunos já estavam sem aulas. Ela disse que a culpa de não estarem tendo aula, não é dos professores, mas do governador.

“Tem muita gente reclamando porque a gente está tendo aula. Sim, a gente não está tendo aula e é muito prejudicial, principalmente para quem está no ensino médio, que está se preparando para o Enem, mas a obrigação de dar educação para os alunos não é dos professores, é do estado, então se o governo não está pagando o salário dos professores adequadamente, não tem problema nenhum os professores, grevarem, eles estão no direito deles”, afirmou a aluna.

As escolas estaduais do Piauí estão com as atividades paralisadas desde o dia 07 de junho. A greve foi decidida após uma assembleia do sindicato com os servidores.

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