A Polícia Civil do Piauí deflagrou operação “Lixo de Ouro” para desarticular um esquema que teria desviado recursos públicos da prefeitura de Guadalupe, no interior do Piauí.
Segundo o delegado Thiago Silva, os crimes teriam participação do secretário de Planejamento e Gestão, Willames Bonfim, a esposa dele Vanessa Rodrigues e o empresário Edvan Morais que foram presos nesta quinta-feira (25).
As investigações apontaram que os suspeitos teriam fraudado processo licitatório que tinha como objeto o serviço de limpeza pública na cidade. O delegado explica que na licitação constava o valor de mais de R$ 1 milhão para a coleta de lixo em uma cidade com pouco mais de 10 mil habitantes.
“A esposa do secretário era a proprietária da empresa de construção civil que venceu a licitação. Por ela ser da família não podia concorrer. Então, antes do processo, ela saiu da empresa e colocou o empresário, ocorrendo a fraude”, explica o delegado.
O titular da delegacia de Guadalupe explica que, pelo contrato, a empresa vencedora da licitação deveria fazer a coleta de lixo. Contudo, na prática, a limpeza era feita pela prefeitura.
“Essa empresa recebia o valor para fazer a limpeza e quem fazia era a prefeitura. Além disso, o valor da licitação só nos primeiros sete meses foi de mais de R$ 1 milhão, valor altíssimo para coletar lixo em uma cidade com pouco mais de 10 mil habitantes. Por isso, o nome da operação Lixo de Ouro”, reitera Thiago Silva.
PROPINA
O delegado acrescenta que as investigações apontaram que o secretário de Planejamento e Gestão [antigo secretário de Infraestrutura] receberia propina mensais de até R$ 30 mil.
“Esse valor era pago pelo empresário que venceu a licitação, ou seja, por Edvan Morais que assumiu a empresa da esposa do secretário. Os valores variavam entre R$ 5 e 30 mil mensais”, disse o delegado reiterando qque as investigações não tinham como foco a prefeitura.
PRISÕES
O secretário e a esposa, além do empresário, foram presos na cidade. Segundo o delegado foram aprendidos documentos durante a busca e apreensão.
“Apreendemos contratos, documentos e extratos bancários. Na casa do secretário, encontramos uma arma”, reitera.
Os presos permanecem na sede da delegacia de Guadalupe. Eles são investigados por fraude a licitação, corrupção passiva e ativa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
O Cidadeverde.com tenta contato com o prefeito da cidade e os advogados dos suspeitos.