Presidente do COB, Paulo Wanderley - Foto: Reprodução

O COB (Comitê Olímpico do Brasil) anunciou nesta terça (24) que vai distribuir R$ 95 milhões para 34 confederações em 2018 por meio da Lei Piva. A quantia é 11,8 % superior ao valor repassado pelo órgão no ano passado. Neste ano, as confederações receberam R$ 85 milhões.

Mesmo assim, a verba não chegará ao montante (R$ 98 milhões) distribuído pelo comitê em 2016, ano de disputa dos Jogos do Rio.

Conforme a reportagem revelou terça (24), a comissão incumbida de propor reformas ao estatuto do COB quer tirar da entidade a distribuição das verbas públicas oriundas da Lei Piva.

O assunto será votado provavelmente no próximo mês na próxima assembleia da entidade.

Os recursos advindos da legislação se tornaram base da plataforma que manteve Carlos Arthur Nuzman à frente da entidade por 22 anos -ele renunciou último dia 11 de outubro face às suspeitas de envolvimento em esquema.

Autor da proposta, o presidente da Marco Aurélio de Sá Ribeiro, presidente da CBVela (Confederação Brasileira de Vela), sugere que seja criado um conselho de administração independente que se encarregue de controlar as verbas públicas que passam pelo comitê, entre as quais as aportadas pela Lei Piva.

Ribeiro é um dos integrantes da comissão de reforma do estatuto.

Caberia ao órgão, ainda, definir os parâmetros para repassar verbas a confederações, o que atualmente fica a cargo da área técnica do COB. O presidente do comitê, Paulo Wanderley, disse que preferia não manifestar a sua posição sobre o assunto para evitar interferência no trabalho da comissão.

No total, a Lei Piva vai destinar R$ 225 milhões ao COB -7% a mais que neste ano.

Deste montante, o comitê ficará com R$ 52,3 milhões -1% a menos que em 2017. O restante será usado em projetos esportivos (R$ 44 milhões), escolar/universitário (R$ 33,8 milhões), além dos repasses que serão feitos para as confederações (R$ 95 milhões).

O COB anunciou também mudança no critério para definir os repasses. A mudança mais significativa é o descarte dos resultados da delegação brasileira nos Jogos de Pequim-08. Apenas o desempenho nas duas últimas Olimpíadas (Londres-2012 e Rio-2016) será levado em conta a partir de agora.

O COB estipula 11 critérios para definir o repasse para as confederações -resultados dos mundiais de cada categoria nos últimos quatro anos, desempenho em Pans também são avaliados.

JUDÔ E VÔLEI

As entidades vão receber mais verbas da Lei Piva no próximo ano serão a de Judô e a de Vôlei. Cada uma levará R$ 6,2 milhões. As duas já eram as primeiras no ranking do repasse. No ano passado, cada uma ganhou R$ 4,2 milhões.

Wanderley foi presidente da confederação de judô por 16 anos.

A Confederação Brasileira de Desportos Aquático praticamente estacionou. Neste ano, a entidade recebeu R$ 3,6 milhões. Já no próximo ano, a confederação, que foi pivô de um escândalo de corrupção, receberá R$ 3,7 milhões.

Dos 30 filiados, apenas o futebol não recebe verba da Lei Piva.

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