O compromisso de mais de 100 países com o fim do desmatamento até 2030 é o destaque do segundo dia da cúpula da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26), realizada em Glasgow, na Escócia.

Uma declaração assinada por 105 países, incluindo o Brasil, sela o comprometimento por ações coletivas para deter e reverter a perda florestal e a degradação do solo até 2030. Ao mesmo tempo, o documento destaca o acordo para o desenvolvimento sustentável e a promoção de transformações rurais que sejam inclusivas.

desmatamento e a desertificação são desafios para o enfrentamento das mudanças climáticas e para o desenvolvimento sustentável, além de afetar a vida e a forma de subsistência de milhões de pessoas no mundo, segundo a ONU. A ação humana de invadir ecossistemas também coloca os seres humanos em risco, com o surgimento de doenças zoonóticas, que são aquelas transmitidas por animais.

Além do Brasil, que é alvo das discussões da COP26 especialmente pela Amazônia, participam da iniciativa países como o Canadá, Rússia, Colômbia, Indonésia e a República Democrática do Congo, que também contam com áreas florestais significativas.

O documento reconhece que, para cumprir os objetivos de uso da terra, clima, biodiversidade e desenvolvimento sustentável, em níveis global e nacional, serão necessárias ações transformadoras, da produção ao consumo, de desenvolvimento de infraestrutura, além de apoio aos pequenos proprietários, povos indígenas e comunidades que dependem das florestas para subsistência.

O anúncio será realizado nesta terça-feira (2), durante a sessão da COP26 sobre florestas. Os líderes comprometerão cerca de US$ 12 bilhões de recursos públicos para proteção e restauração, além de US$ 7,2 bilhões de investimento privado.

O compromisso reforça acordos coletivos e individuais anteriores, incluindo a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e o Acordo de Paris, a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

As metas e os planos dos líderes globais para zerar as emissões de carbono pelos países, a adaptação das nações para proteger comunidades e habitats naturais e a mobilização de recursos são temas que continuam na agenda das discussões nesta terça-feira (2).

Um dos destaques será uma conferência sobre florestas e o uso da terra, que irá apresentar como as intervenções na área, com métodos de subsistência sustentáveis, podem impactar positivamente na manutenção da meta de temperatura global de 1,5°C.

Em um segundo momento, os líderes mundiais e empresariais discutem estratégias para acelerar a inovação e implantação de tecnologias limpas, que sejam acessíveis e economicamente viáveis aos países.

Em nota, o setor empresarial brasileiro afirmou que defende o fim do desmatamento ilegal como passo fundamental para o combate às mudanças climáticas e cumprimento da meta brasileira no Acordo de Paris.

“As empresas brasileiras apoiam a declaração sobre florestas e uso da terra lançada na Conferência do Clima da ONU, a COP26. Os pontos centrais do texto estão alinhados ao modelo de desenvolvimento sustentável que o setor defende, especialmente para que o Brasil retome seu protagonismo e se beneficie das grandes vantagens competitivas que possui, com a geração de empregos e renda”, diz o texto.

Destaques do primeiro dia da COP26

O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, abriu a participação do Brasil na COP26 nesta segunda-feira. Leite apresentou as metas do país cúpula, que incluem a redução de 50% das emissões de gases de efeito estufa até 2030 e a neutralização das emissões de carbono até 2050.

“Apresentamos hoje uma nova meta climática, mais ambiciosa, passando de 43% para 50% até 2030; e de neutralidade de carbono até 2050, que será formalizada durante a COP26”, disse o ministro em um pronunciamento à distância aos líderes globais.

CNN