Presidente do Sindilojas-PI, Tertulino Passos (Foto: Daniela Meneses)

Alguns municípios piauienses iniciaram a reabertura gradual do comércio. Em Picos, por exemplo, joalherias, confecções, lojas de vários setores começaram a reabrir nesta semana. Entretanto, no Piauí, o governador Wellington Dias, após anunciar que iria estabelecer critérios para a reabertura do comércio no estado, recuou e decidiu manter o setor fechado. Após quase três meses sem vendas, os empresários piauienses já contabilizam grandes prejuízos.

Segundo o presidente do Sindicato dos Lojistas do Piauí (Sindlojas), Tertulino Passos, as perdas no setor já chegam a 85% se comparado ao mesmo período do ano passado.

“É uma situação bastante difícil nesse momento para todos os lojistas do mercado. Hoje nós temos uma perda estimada em 85%, em relação ao mesmo período do ano passado. Se for levar em consideração os meses de abril e maio do ano passado, com o valor das vendas para esse ano, nós temos 85% de perdas. Esses 15% seriam daquelas empresas que puderam abrir, e também algumas vendas que foram feitas de forma online. A situação é bastante complexa, bastante complicada para os lojistas e varejistas do nosso estado. É uma crise pela qual ninguém nunca viveu, essa geração nunca viveu e vamos ter que conviver com ela por um bom tempo”, afirmou.

Passos fala que a situação é grave e que muitas lojas, após a reabertura, não aguentará ficar um mês aberta devido à crise.

“É uma situação bem difícil neste momento, nós temos hoje estimativas que 30% a 35% dos estabelecimentos estão fechados, eles não reabrem. E esses 65% a 70%, que vão reabrir, em média, 10% não aguenta ficar o primeiro mês de lojas abertas. Então isso é uma perda muito grande, principalmente dos postos de trabalho. Você vê que o fechamento será astronômico em relação a postos de trabalho, levando em consideração também o que já aconteceu nesses últimos três meses em relação a fechamento de postos de trabalho”.

Tertulino defende a reabertura do comércio, desde que os estabelecimentos se responsabilizem pelos cuidados sanitários.

“Esse momento é um momento de abertura, nós não podemos mais, haja vista que já estamos com praticamente mais de 90 dias de lojas fechadas. Então para que não tenha mais prejuízos, é ideal que se abra. Nós empresários não queremos abrir de qualquer jeito, nós queremos abrir com segurança. Então a própria Secretaria de Saúde do Governo do Estado, já tem vários protocolos do comércio varejista, do comércio atacadista, de autopeças, de veículos, do setor de saúde, do setor de educação, então o que está sendo difundido são esses protocolos de segurança, e nós queremos abrir, utilizando esses protocolos, com toda segurança. Mas nós precisamos abrir para que o impacto [econômico] não seja maior ainda”, acrescentou.

O presidente do Sindilojas destaca que o país já passava por uma grande recessão econômica e com o setor fechado por tanto tempo, a recuperação financeira será ainda mais lenta e a economia deve começar a reagir somente a partir do próximo ano.

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