Início Destaque Casos de hanseníase em Picos têm redução de 62%

Casos de hanseníase em Picos têm redução de 62%

Coordenador de Controle à Hanseníase, Gilberto Valentim (Foto: Daniela Meneses)

Dados da Coordenadoria de Controle à Hanseníase mostram uma redução considerável da doença quando comparados ao mesmo período do ano passado.

O levantamento foi feito de janeiro a junho deste ano e apontou que em 2019, até o momento, a pasta notificou 08 casos. No mesmo período do ano passado, foram 21 registros de pessoas com a enfermidade.

O coordenador da pasta, Gilberto Valentim, destaca que a busca ativa da doença no município começou a ser feita a partir de 2013 e desde então, os números eram altíssimos. Entretanto, a partir de 2017, foram reduzindo.

As atividades que garantem a atenção necessária aos casos de hanseníase em Picos estão concentradas no Posto de Assistência Médica (PAM), órgão municipal que trata os casos da doença na cidade, que atua de forma descentralizada e em parceria com a Estratégia de Saúde da Família, que são as unidades básicas de saúde, onde funciona o Programa de Saúde da Família.

“A gente tem funcionado fazendo treinamento, capacitações, desde quando assumimos a coordenação em 2013 e no início nós tivemos uma curva ascendente de descoberta de casos, um aumento. E agora, desde 2017, a gente observa que a gente tem uma curva descendente, está diminuindo a incidência e também a prevalência dos casos de hanseníase no município de Picos”, acrescentou.

Gilberto acredita que até o fechamento do semestre, último dia de junho, poderá aparecer algum novo caso, mas ele não espera que seja superior ao mesmo período do ano passado. O coordenador falou também que os números só são maiores devido ao município representar um polo comercial que recebe diariamente milhares de pessoas da região, além de estudantes que vêm para a cidade fazer faculdade, por exemplo.

“Esperamos que isso se confirme até o final do ano, a tendência agora é que a gente tenha queda na incidência, na prevalência da hanseníase no município de Picos. Nós acreditamos que com toda capacitação, com tanta divulgação, busca ativa, controle de contato que nós realizamos no município, nós já debelamos os focos principais de hanseníase. E o que nós temos são casos que foram infectados por esses casos que já foram tratados, porque o período de incubação varia de 07 meses a 10 anos, e nós vamos pegar esses casos para diminuir ainda mais a prevalência e quebrar de vez a cadeia de transmissão da doença”, concluiu.

Em 2018 a pasta registrou e tratou 34 casos da doença.

A doença

Hanseníase ou lepra, nome pelo qual a enfermidade era conhecida no passado, é uma doença infectocontagiosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae, ou bacilo de Hansen, em homenagem a seu descobridor. É provável que a transmissão se dê pelas secreções das vias aéreas superiores e por gotículas de saliva. Embora seja uma doença basicamente cutânea, pode afetar os nervos periféricos, os olhos e, eventualmente, alguns outros órgãos. O período de incubação pode durar de seis meses a seis anos.

SINTOMAS

Manchas na pele de cor parda, esbranquiçadas ou eritematosas, às vezes pouco visíveis e com limites imprecisos;

Alteração da temperatura no local afetado pelas manchas;

Comprometimento dos nervos periféricos;

Dormência em algumas regiões do corpo causada pelo comprometimento da enervação. A perda da sensibilidade local pode levar a feridas e à perda dos dedos ou de outras partes do organismo;

Aparecimento de caroços ou inchaço nas partes mais frias do corpo, como orelhas, mãos e cotovelos;

A hanseníase pode causar alteração da musculatura esquelética, principalmente a das mãos, o que resulta nas chamadas “mãos de garra”;

Infiltrações na face que caracterizam a face leonina característica da forma virchowiana da doença.

TRATAMENTO

Ambos os tipos de hanseníase (paucibacilar e multibacilar) são tratados com o antibiótico rifampicina, durante seis meses no tipo paucibacilar e um ano no tipo multibacilar. A medicação é fornecida gratuitamente pelo Ministério da Saúde e administrada em doses vigiadas nas Unidades Básicas de Saúde sob a supervisão de médicos ou enfermeiros de acordo com normas da OMS.

A rifampicina elimina 90% dos bacilos. Por isso, é necessário complementar o tratamento com outra droga (DDS), que pode ser tomada em casa diariamente, até o final do tratamento.

Nos casos multibacilares, esse tratamento é acrescido de uma dose diária e de outra vigiada de clofazimina.

CONFIRA A ENTREVISTA COM GILBERTO VALENTIM