Início Destaque 90% das óticas de Picos estão irregulares, aponta conselho

90% das óticas de Picos estão irregulares, aponta conselho

Com o objetivo de coibir as infrações relacionadas ao setor ótico na cidade, o Conselho Regional de Óptica do Estado do Piauí, em parceria com a Vigilância Sanitária de Picos, realizará durante três dias na cidade fiscalizações em todos os pontos de óticas.

Segundo o conselheiro regional, Anderson Luiz, foi constatado até o momento que 90% das óticas de Picos estão irregulares por falta do profissional técnico em óptica.

“Grande parte dessas óticas está irregular no que se refere ao técnico responsável do estabelecimento, assim como uma farmácia precisa de um farmacêutico para estar legalizada, a ótica não é diferente, ela precisa de técnico em óptica para estar enviando as receitas de forma adequada, até para beneficiar a população para que não haja erros”, disse.

Anderson Luiz conta que as vertentes que o conselho fiscaliza é se tem um profissional habilitado com diploma reconhecido pelo MEC dentro do estabelecimento, ele conta que toda ótica tem que procurar o conselho regional para mostrar a habilitação técnica do seu profissional e assim comprovar que dentro do estabelecimento tem esse profissional capacitado.

O conselheiro alerta que a falta do técnico em óptica nos estabelecimentos pode acarretar para os consumidos prejuízos. “ Erros na fabricação, na confecção, na tirada de medidas dos óculos, assim gerando má adaptação do óculos e transtornos como dor de cabeça, cansaço, fadiga visual mesmo que o grau tenha sido escrito da forma correta, se não tiver esse conjunto, essa relação com uma boa medida, um bom ajuste feito por esse profissional técnico por ótica, pode gerar grande problema para a população’’, disse.

A fiscal sanitária Rita de Cassia Leônidas explicou que pelo menos há um mês e meio a vigilância já trabalha com foco nas óticas, onde foi feita uma triagem, levantamento e fiscalização, constatando que boa parte não tem um responsável técnico para trabalhar no ramo de optometria.

“Então a nossa coordenadora, a Dr. Lucia Neiva, solicitou em Teresina, juntamente com o conselho de optometria, para que eles viessem aqui dar um suporte para fazer um levantamento, para serem cobradas as devidas correções’’, conta.

A servidora conta ainda que esse trabalho de fiscalização que foi realizado nas óticas foi aplicado o Código Municipal de Vigilância Sanitária. “ Foram dadas orientações e a gente deixou tipo uma advertência. São três sanções, a primeira é a advertência, depois vem a multa e por último, por último grau mesmo, interditar o estabelecimento’’, falou.

Denúncia

A nossa equipe conversou com o proprietário de uma ótica que não quis se identificar, ele afirmou que a abordagem da equipe foi bastante abusiva. Segundo ele, somente este ano seu estabelecimento foi fiscalizado três vezes, ele acusa os dois órgãos de uma parceria com fins lucrativos.

“Primeiramente eu queria dizer que é um pouco abusiva, esse ano eu fui fiscalizado três vezes, pediram documentação, inclusive quando eles chegaram na primeira vez no começo do ano, eu já estava com toda minha documentação em dias, aí me pediram um livro de receitas e eu fiz, me deram um prazo de 24 horas, senão eu seria autuado”, conta.

O empresário falou que na segunda-feira (12) foi feita a terceira fiscalização, segundo ele, foi oferecido para o mesmo um livro de receita no valor de 120 reais e um curso. “A terceira fiscalização que me fizeram, me ofereceram inclusive um livro de receitas novamente que disse que ia ser fornecido só pela vigilância sanitária, que o valor ia ser um valor até alto, que só eles iam fornecer. Eu não sei nem se isso é permitido pela lei, no valor de 120 reais e também me perguntaram se eu tinha um técnico responsável, isso eu sei que é obrigatório toda ótica ter, mas me ofereceram também um curso no valor alto e que esse curso, se eu aceitasse fazer o curso, eu já receberia o certificado de técnico,  já pra ser responsável pela ótica, eu acho que tem algo errado aí”, disse o empresário.

Segundo o empresário os órgãos não se limitavam somente em fiscalizar, mas também em vender produtos para o estabelecimento. Ele fala ainda que o conselho deu uma lista com o nome de 73 pessoas optometrista que poderia se responsabilizar pela ótica só para assinar.

“Eles cobram um valor exorbitante para assinar, mesmo até sem conhecer meu estabelecimento, no caso só passando a documentação”, conta o empresário.

CONFIRA AS ENTREVISTAS

ANDERSON LUIZ

RITA DE CASSIA LEÔNIDAS

EMPRESÁRIO