Eleição 2018 deve trazer embate entre o velho e o novo

Eleição 2018 deve trazer embate entre o velho e o novo

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Está difícil fazer prognósticos sobre as eleições de 2018, tantos são os fatores que interferem no processo. Mas um em especial parece influenciar de modo determinante: a operação Lava Jato, que aguçou o olhar (crítico) sobre os políticos e criou novas demandas na cidadania. E a perspectiva é que 2018 guarde um embate entre o velho e o novo.

Cada eleição tem uma característica. Às vezes pede mudança (como a de Collor em 1989 e a de Lula em 2002), às vezes cobra continuidade (como a de FHC em 1998). Também acontece de pedir experiência, como as municipais de 1992, em que os escândalos em torno de Collor alertavam para os riscos de investir em um gestor sem preparo.

O cenário que mais se aproxima do que se desenha para 2018 é o vivido em 1989. Naquela eleição não se buscava simples mudança, como em 2002. Buscava-se uma limpeza pra valer nas matrizes políticas, depois que a Nova República (Sarney no comando) não concretizou a mudança prometida. Em 89, foram para o segundo turno os dois mais jovens candidatos. E os dois com discursos mais fora do tom tradicional da política – Collor e Lula.

A Lava Jato revelou escândalos escabrosos e roubos inimagináveis. E não poupou nem partidos nem ideologias. Isso reforça a leitura do “eles não me representam” que engolfa quase toda a classe política e pede uma limpeza pra valer. De novo – e dessa vez maior, porque haverá eleição para o Congresso.

As eleições de 2016 já deram um indicativo desse sentimento. Nas três maiores cidades do país, onde o voto de liderança cede protagonismo à opinião pública, os eleitos eram os menos parecidos com a política tradicional. Doria (São Paulo) e Kalil (Belo Horizonte) se apresentaram como não-políticos. E Crivela (Rio de Janeiro), já político, era o menos afeito ao figurino comum do setor.

Essa percepção norteia os analistas de plantão, sobretudo aqueles que tentam antecipar cenários econômicos em razão das definições do campo político. É o caso do diretor para América Latina do Eurasia Group, João Augusto de Castro Neves. Em conferência na semana passada, em São Paulo, ele apontava duas características fundamentais para as eleições de 2018: a eventual candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas menos competitiva; e o surgimento de “caras novas”.

Na prática, aponta para o embate entre o velho e o novo, onde o tardicional choque direita-esquerda perde ainda mais peso. Os partidos já se dão conta disso. No PSDB, por exemplo, José Serra e Aécio Neves não contam mais para o embate, Geraldo Alckmin corre o mesmo risco. Doria aparece como alternativa, tentando se firmar como real possibilidade. Na sede popular por novidade, há até quem lembre do apresentador Luciano Huck, que talvez queira ser o que Sílvio Santos foi em 1989 – se não tivesse sido impugnado, Silvio poderia ter dado trabalho.

Entre o passado e o futuro, há uma ponte a ser percorrida: as eleições do próximo ano. Por baixo dessa ponte, correm as águas revoltas turbinadas pelos escândalos, engolfando velhos sonhos e alimentando novas esperanças. Mas até que as águas serenem e permitam uma travessia tranquila, ainda teremos que ter muita paciência e muito estômago para engolir tantas revelações.

Cidade Verde

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