PODCAST: Atingidos por incêndio florestal na zona rural de Picos buscam ajuda

PODCAST: Atingidos por incêndio florestal na zona rural de Picos buscam ajuda

Atingidos por incêndio na Serra da Atalaia se reúnem - Foto: Assis Santos/Grande Picos

O incêndio que destruiu grande parte da vegetação da Serra da Atalaia, localizada no limite entre os municípios de Aroeiras do Itaim e Picos, no final ano passado, ainda gera prejuízo aos agricultores das localidades atingidas.

Pelo menos cinquenta produtores rurais tiveram as propriedades destruídas pelo fogo. E para discutir as perdas e buscar alternativas para minimizar a situação, os moradores prejudicados se reuniram nesta sexta-feira (10) em uma escola do povoado Alto dos Canutos. Os moradores contam que além da vegetação, cercas, animais e colmeias foram consumidos pelas chamas.Acompanhe no podcast os detalhes da reunião.  

PODCAST | Incêndio Serra da Atalaia | 14.03.17

Uma crise maior que a seca
O criador José Expedito da Silva, residente na localidade Pitombeiras, disse que precisou alugar uma pastagem para alimentar o que sobrou do rebanho. “Para não ver meus bichinhos morrerem de forme, fui obrigado, mesmo sem condições, a alugar pasto em outra região”, lamenta.

A situação não é diferente para o agricultor Valter Borges, da comunidade Saco Fundo. Segundo ele, o incêndio causou um prejuízo de aproximadamente sessenta mil reais. “Minha área queimou totalmente; entre arames e caixas de abelha, meu prejuízo passa de sessenta mil”, diz ele.

O líder comunitário da comunidade Alto dos Canutos, João Batista Lima, conta que teve que improvisar para não ficar sem fazer o plantio. “A saída encontrada foi fechar os becos e reaproveitar arame queimado, pois já estamos com quatro anos de seca e ver a terra molhada sem poder plantar é revoltante”, desaba.

Terras devastadas
A queimada na região foi provocada pelo pela pólvora da espingarda de um caçador que fazia a prática da caça predatória na região. Ele foi denunciado aos fiscais do Meio Ambiente e à polícia e assumiu a autoria do crime.

Para a professora Francelina Macedo, que é proprietária de terras na região afetada, o momento atual é tão delicado quanto na época em que as terras foram incendiadas. “O pós-fogo está sendo tão difícil quanto no momento em que nossas terras foram devastadas, pois as famílias não dispõem de condições financeiras para reconstruírem o que perderam”, acentua a professora.

Um dos articuladores da reunião, o apicultor Assis Valério lembra que precisou buscar outras alternativas para pagar a parcela do empréstimo que contraiu junto a uma instituição financeira. “Essa semana tive que tomar dinheiro emprestado para pagar o banco – o que faria com a venda da safra do mel, mas infelizmente todas ás minhas colmeias viraram cinzas”, diz resignado.

No final do encontro os participantes realizaram encaminhamentos visando encontrar saídas para amenizar os prejuízos das famílias prejudicadas pelo incêndio na região.

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