Rebelião na Penitenciária de Picos deixa saldo de destruição, dois mortos e...

Rebelião na Penitenciária de Picos deixa saldo de destruição, dois mortos e oito transferidos

Penitenciária José de Deus Barros - Foto: Jessika Mayara

Detentos da Penitenciária José de Deus Barros, em Picos, realizaram uma rebelião na última quarta-feira (02). Quatro pavilhões foram tomados pelos presos, que deixaram um rastro de destruição e um saldo de dois mortos. Cerca de dez celas ficaram totalmente destruídas, o que deixou o presídio ainda mais superlotado. A unidade tem capacidade para 144 internos, mas conta atualmente com 406.

A ação dos detentos teve início ainda durante a tarde e só foi controlada na madrugada da quinta-feira (03) com a presença de policiais militares, agentes penitenciários e do Corpo de Bombeiros para conter as chamas que tomavam conta da unidade prisional.

Penitenciária José de Deus Barros - Foto: Jessika Mayara
Penitenciária José de Deus Barros – Foto: Jessika Mayara

Um dos mortos durante a rebelião foi Benedito Josenildo Alves, 30 anos, conhecido como Jotinha, era condenado por tráfico de drogas. Ele foi ferido e morreu ainda dentro do presídio. O outro, identificado como Aderi Pereira do Nascimento, 30 anos, chamado por Pezinho, também foi agredido e chegou a ser atendido no Hospital Regional Justino Luz, mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito. Aderi estava preso desde 2015 por furto de moto e já tinha passagem pelo sistema prisional por homicídio.

O diretor da Penitenciária José de Deus Barros, Sinval Hipólito, informou que o motim começou durante o banho de sol, à tarde, e que a intervenção dos agentes e policiais na coibição de atritos entre os próprios detentos — confusão inicial que resultou nos presos lesionados — teria motivado a revolta dos detentos, ocasionando o início do motim. Uma revista em um dos pavilhões foi realizada e cerca de 14 estiletes, usados como armas pelos detentos, foram encontrados.

Sinval Hipólito - Foto: Fabrício Sousa
Sinval Hipólito – Foto: Fabrício Sousa

“Por volta das 18h45, estava no hospital quando chegou a ligação nos comunicando que teria iniciado o quebra, onde os detentos do Pavilhão “A” e Pavilhão “C” teriam colocado fogo, e por este motivo solicitamos de imediato o apoio da Polícia Militar. Chegamos ao presídio e tentamos de imediato cessar aquele movimento, mas não foi possível porque eles atearam fogo em todos os colchonetes e os colocaram com fogo nas grades e não teria como a gente tocar nas grades e chegar até eles”, explicou Sinval.

Foto: Jessika Mayara
Foto: Jessika Mayara

Segundo o diretor, os presos que deram início ao motim foram identificados e transferidos durante esta quinta-feira para os presídios das cidades de São Raimundo Nonato e Altos.

“Serão transferidos os detentos que causaram este motim, que destruíram várias celas do presídio, detentos que perfuraram os demais que vieram a óbito, os detentos que trazem a maldade aos demais detentos desta unidade prisional, com o entendimento com o poder Judiciário, Ministério Público e da Secretaria de Justiça”.

Foto: Jessika Mayara
Foto: Jessika Mayara

Sinval informou ainda que o detento ferido e transferido com vida ao hospital passou informações importantes, principalmente relacionadas a nomes de possíveis futuras vítimas, assim como ele, dentro da unidade.

“O próprio detento quando estava sendo conduzido ao hospital pediu que tirássemos detento ‘tal’ e ‘tal’ de lá por que iriam tirar a vida deles, e de imediato nós fizemos este procedimento. O motivo que estou colocando é [para] que toda sociedade tome conhecimento que se nós não tivéssemos agido de imediato teriam ido a óbito quatro, cinco ou seis detentos, o que jamais iremos permitir”.

Tenente da PM atribui o ocorrido à disputa por território

Cerca de sessenta policiais militares participaram da operação de contenção à rebelião da Penitenciária José de Deus Barros. A informação foi repassada pelo Relações Públicas do 4º BPM, tenente Elias Sousa. Segundo ele, o efetivo já havia atendido dois chamados na unidade prisional durante o dia, antes dos presos se rebelarem.

Relações Públicas do 4º BPM, Tenente Elias de Sousa - Foto: Fabrício Sousa
Relações Públicas do 4º BPM, Tenente Elias de Sousa – Foto: Fabrício Sousa

O tenente Elias atribui o ocorrido à disputa por território entre os detentos que cumprem pena na unidade prisional.

“É normal dentro dos presídios ter as facções, eles começam a se organizar lá dentro do presídio, tem chefe, todos sabem disso, que em uma facção tem um chefe, eles querem dar as ordens, só que os organismos de segurança estão atentos para esta ação, não vamos permitir este tipo de coisa dentro da Penitenciaria José de Deus Barros porque a Polícia Militar logo que for acionada estará presente para conter este tipo de acontecimento”, disse o tenente.

Detentos revidaram à ação dos bombeiros

O Corpo de Bombeiros foi chamado ao local para conter as chamas e deixar o prédio favorável à entrada dos policiais. De acordo com o Chefe de Operações do Corpo de Bombeiros de Picos, tenente Hamilton Lemos, os detentos revidaram o trabalho realizado pela corporação.

Hamilton disse ainda que um dos maiores problemas encontrados durante a rebelião foi à quantidade de fogo existente nos corredores, o que, segundo ele, se assemelha a um espaço confinado, dificultando a retirada da fumaça.

Tenente Hamylton - Foto: Fabrício Sousa/Grande Picos
Tenente Hamylton – Foto: Fabrício Sousa/Grande Picos

“Nós fizemos um primeiro combate por cima, então eles jogaram pedras tentando inibir, mas foi contornado. Não vamos dizer que foi direto contra o bombeiro em si, mas contra aquilo que o bombeiro estava fazendo, que fosse justamente combatendo as chamas por eles realizadas”, pontuou o chefe de operações.

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